sábado, 29 de dezembro de 2012

No Templo de Vênus
 rodízios
 vértebras
 dias de libertação
 corpos e calores
 caminhos profundos
 largos e apertados
 luzes e suor
 bocas, morangos e baunilhas
 sacerdotisas
 escravos
 licor  e seus resíduos
 frases
 montanhas
 galopes
 perfeitas sintonias
 sincronias
 dia
 meio dia
 tarde
 noite
 meia noite
 turbulências
.....................

 



"As Relações Naturais"

"[...] metido no seu mundo de fantasmas, a braços com a loucura e a mesmice do meio provinciano, Qorpo-Santo escrevia em 1866 sem esperança de aplausos publico [...] faz esta declaração de inteira obediência ao seu destino: "Não sei porém o que me inspirou a continuar no mais improfícuo trabalho" (Qorpo-Santo, p.51)

"As Relações Naturais", trecho do prefácio por Guilhermino Cesar

"[...] o próprio Qorpo-Santo, que até nos seus piores dias, mesmo no escuro de um quarto de hospício,  nunca deixou de escrever, numa ânsia criadora [...] é também uma visão estética em busca de formas mais perfeitas, de ideações e fantasias, através das quais o bicho homem deixa em terra suas fragilidades e cria asas para passar a melhores regiões." (Qorpo-Santo, p.50)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Vivo ou não, cinco defeitos encontrei em tua voz,
e o meu foi percebe-los.
Cinquenta mil vezes te pronunciei,
bordejei e aqui vim parar.
Sem véu, sem luz, não é mais teu sorriso o que me conduz
agora que te percebo
te condeno
te almejo
te enfraqueço
te enlouqueço
te manejo.

RIA
CONFUNDA
não me mintas, jamais.

Quero soluçar nos teus braços,
enraizar nos teus pés,
levitar em tuas pernas.

Mas não sou eu, é o vento, é Ele quem sussurra em meus ouvidos
implorando por mais uma alma, resto, vestígio de felicidade.
Queria Ela o fim, porém seus termos não contribuíam a delicadeza reciproca, quando enfim os monges retornaram a alcova singela, a menina varrida, torta e virtuosa sufocou-os por seus suplícios em ternura forte, disciplinada que tonteava o vácuo daquele porão sem fim.  O mundo penetrante e Sem ar pedia lhe mais, pedia o Cru, pedia o Nu. E não, Ela não aceitaria mais a vida. Sem medo Ela gritaria, gritaria, gritaria, morreria, morreria, morreria, morrera.
Rios e fôlegos
se entrelaçam na purpura de uma cólera maldita
- O que fizeste aqui? O teu coração é o que castiga os vermes!
- Não penses em corrupção, pois o único mal que faço é mimar os meus estímulos.
E mesmices se confundem na loucura da certeza, quando quebrada na floresta da perdição, calma e velha tocou-se com o fim.
Neste céu de fervura, de sol, lua  e estrelas
me encontro lembrando dos teus olhos
percorrendo as nuvens lembro das tuas mãos
no meu corpo molhado, do teu corpo que me faz reclamar por tua doçura.
E que sinto agora o Gosto aqui na minha boca.